domingo, 21 de março de 2010

ARTRITE REUMATÓIDE JUVENIL

Oi, gente, achei na net um blog de um reumatologista que responde dúvidas sobre reumatismo e seu significado. Achei interessante, principalmente o texto abaixo, extraído de uma postagem, sobre artrite reumatóide juvenil.
Como há no fórum pessoas com filhos portadores da então chamada ARJ, publico aqui a parte em que ele faz referência:

http://drluizclaudio.blogspot.com/

A maioria dos reumatologistas, pelo menos nas capitais, não usa a expressão “isso é reumatismo”, preferindo dizer “isso é uma doença reumatológica”, expressão cujo significado é simplesmente “uma doença que a Reumatologia estuda e trata”, sem dizer precisamente qual é a doença. É que esses especialistas ainda não se deram conta do problema de comunicação criado pelas palavras derivadas de “reumatismo”, como “reumática”, “reumatóide”, “reumatológica”, etc. Quando ditas para a população, tais palavras remetem o pensamento popular de volta ao mito “reumatismo” e, para a população, acabam tendo quase o mesmo significado.
Além disso, alguns especialistas ainda preservam o pensamento antiquado da especialidade, que precedeu o desmascaramento do mito, e acreditam que essa forma de comunicação é útil e esclarece as pessoas sobre as doenças. Eles ainda não se deram conta das mudanças que estão ocorrendo no pensamento popular e, talvez, só reconhecerão o mito quando a palavra que o representa for definitivamente eliminada da ciência, juntamente com todas as outras que com ela se relacionam, como reumatologia, reumatologista, reumática, reumatológica, etc.

Por isso, se ao consultar o Conselho Regional de Medicina, a pessoa descobrir que foi um reumatologista quem lhe disse “isso é reumatismo”, só há uma coisa a fazer: Voltar ao especialista e perguntar qual é a doença que ele diagnosticou e chamou de “reumatismo”.
Se souber, ele dirá o nome da doença.
Qualquer pessoa poderá então comprovar que o nome da doença nunca é “reumatismo”.

Entretanto, o nome da doença pode conter algumas palavras relacionadas com “reumatismo”, como em 
febre “reumática” ou em artrite “reumatóide”, mas nesses nomes de doenças, “reumática” e “reumatóide” são apenas palavras com função de adjetivo e não significam que as doenças “febre reumática” e “artrite reumatóide” sejam “reumatismo”.

O caso mais confuso é o da expressão 
“reumatismo palindrômico”, que dá nome a uma doença caracterizada por episódios periódicos de artrite e periartrite.
Na expressão 
“reumatismo palindrômico”, a palavra “reumatismo” é apenas o substantivo que dá nome à doença “reumatismo palindrômico” e não significa que a doença“reumatismo palindrômico” seja “reumatismo”.“Reumatismo palindrômico” é apenas o nome dado a uma doença que causa episódios periódicos de artrite e periartrite. Não é o mesmo que "reumatismo".
Por isso, para evitar confusão, muitos reumatologistas preferem chamar essa doença de “artrite palindrômica” ou de “periartrite palindrômica”, eliminando assim qualquer referência ao mito “reumatismo”.

Pelo mesmo motivo, no final do século passado, foi realizado um congresso internacional de Reumatologia pediátrica para mudar o nome da doença 
“artrite reumatóide juvenil” para“artrite idiopática juvenil”, porque o nome anterior sugeria que a doença juvenil fosse apenas a mesma artrite reumatóide dos adultos afetando crianças. Mas as duas doenças não são iguais.
Na verdade, a 
artrite idiopática juvenil é uma doença diferente da artrite reumatóide, não apenas porque acontece nas crianças, mas porque geralmente é autolimitada, desaparecendo no final da adolescência, enquanto a artrite reumatóide, seja em adultos ou em crianças, geralmente é uma doença crônica e progressiva.
Ao mudar o nome de 
“artrite reumatóide juvenil” para “artrite idiopática juvenil”, o congresso de especialistas conseguiu eliminar a confusão com a artrite reumatóide, ao mesmo tempo em que eliminou o mito “reumatismo” da nomenclatura das artrites da infância.
Como se pode ver, a confusão causada pela semelhança entre as palavras usadas na nomenclatura das doenças em Reumatologia faz parte do problema de comunicação criado pelo mito “reumatismo”.

Para a pessoa que está satisfeita com o tratamento que vem recebendo de um reumatologista, mesmo sabendo apenas que “tem reumatismo”, sem saber qual doença tem, é importante reconhecer que, se precisar mudar de médico, o problema de comunicação aparecerá.
Se a pessoa não for capaz de dizer ao novo especialista qual doença tem e disser apenas que “tem reumatismo” ou que “está tratando de reumatismo”, o novo reumatologista não saberá qual é a doença e precisará refazer a investigação para chegar ao diagnóstico, gerando perda de tempo e de recursos.

Para quem não estiver satisfeito com a explicação “isso é reumatismo”, a melhor opção é simplesmente consultar outro reumatologista.

Infelizmente muitos reumatologistas ainda não dão importância à mudança crescente de comportamento popular em relação ao mito “reumatismo”.
De uma época em que todos acreditavam nas explicações baseadas em “reumatismo”, chegamos ao tempo em que as pessoas esclarecidas estão questionando as explicações baseadas no mito. Tal questionamento expõe as contradições e imprecisões existentes na nomenclatura usada em Reumatologia e brevemente forçarão uma mudança de comportamento da especialidade.
Tenho certeza de que o mito “reumatismo”, que sobrevive na mente popular há mais de 2000 anos, não sobreviverá a essa década, porque chegou o tempo da ideia presente na afirmação: “reumatismo é um mito popular”.
Uma vez revelado, o mito torna-se ridículo e poucos têm coragem de continuar defendendo-o.

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